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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A lenda do sol e da lua


Os índios contam uma lenda
uma lenda sobre o sol e a lua
e é uma história tão triste que ele
só conta uma vez a cada nova geração.
Uma lenda sobre a maldade do homem
e de como sua alma é perversa e crua.
Diz a lenda que o sol nasce feliz
e sua felicidade é tão grande, imensa
que ele brilha e brilhando espalha alegria por todo lugar.
O pássaro canta agradecendo ao sol seu calor.
A árvore floresce dizendo de sua gratidão ao sol com amor.
A onça salta, corre e ela ruge dizendo ao sol seu valor.
Era tudo perfeito, era tudo alegria, não faltava ninguém
mas chegou um tal homem, civilizado se disse esse alguém
e então veio o dia nublado
é que as nuvens esconderam do sol e protegeram a lua
da maldade do homem e de como sua alma é perversa e crua.
E se o sol não brilha, não tem alegria
o tal homem chegou e acabou a harmonia
E o sol vai ficando infeliz vendo a terra chorar de agonia
vendo homem derrubar a floresta em nome de uma coisa chamada cidadania
e dizer que é preciso matar a onça porque ela é feroz
mas os índios sabem que isso não passa de uma grande ironia
e o homem aprisiona o passarinho querendo roubar o seu canto pra sí
é o homem, esse ser desprezível, um nada, era o que ele valia
quis mostrar sua força, destruindo a tudo, isso ele sabia
revelando sua alma perversa e amedrontando a todos
era o que ele queria
E o sol vendo isso tanto mais se escondia
ouvindo o lamento da terra e dos bichos, como ele sofria
e resolveu que quando aquele dia acabesse
lá no longínquo horizonte mergulharia no mar e não mais voltaria
e assim não haveria mais sol, não haveria mais luz
e nesse ato final a vida aqui cessaria
e num conforto eternal ele bem que sabia
que o malvado do homem também morreria
mas a lua serena tão quieta ouvia
e apesar da maldade do homem isso ela não permitiria
que o sol se matasse e levasse com ele
toda luz, toda vida e toda nossa alegria
e resolveu que de uma vez essa sanha infernal ela terminaria
antes que a noite acabasse e o dia nascesse
uma linda canção de amor cantaria
e o sol quando ouvisse lá no fundo do mar
ele despertaria
a atraído pelo som de sua voz voltaria
e de novo e numa nova esperança ele então brilharia
esperando que o cruel homem percebesse todo mal que fazia.
A lenda se encerra assim
dizendo que o sol e a lua até hoje esperam
não que o homem se acabe
mas que ele finalmente deseje viver com eles em harmonia.

                       Manoel Augusto