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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Eu que não quero a solidão


Eu que não quero a solidão,
mas sempre me pego procurando estar sozinho,
me esmero em querer ficar comigo mesmo,
e por tempo até demais!

sozinho em pensamentos,
Me surgem à mente milhões de coisas pra dizer aos outros,
mas, meu esforço em dizer nada é tão maior e mais forte,
imenso como abismos profundos e sem fim,
vales sem pontes que me esforço em construir em mim.

eu que não quero a solidão,
e sou um estranho quando estou na multidão,
Seguindo sempre em outra direção,
fingindo não me perceber parte deste infinito ao meu redor.
Semeando pedras, cultivando ausências,
regando campos de nada, 
colhendo os frutos não desejados.

E o suor que me escorre na face, me diz
do meu sacrifício e duro esforço de procurar
estar sozinho.
e eu que não quero a solidão
me vejo assim, Só!

               Manoel Augusto