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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Eu sou teu cais

Eu sou teu cais.
Quando o mar em fúria se tornar,
e te veres com tua vida por um fio,
Navega pra mim, lança tuas cordas e eu te deixarei
em segurança outra vez.
Eu sou teu cais!

Quando navegares atrás de tesouros e ilusões,
e encontrares o nada por recompensa, volta!
E estarei aqui, pra segurar tuas amarras
e não te deixar partir em vão!
Eu sou teu cais!

E se na imensidão do mar, a solidão te tomar de assalto,
e teu coração se comprimir em teu peito,
e uma lágrima teimar em molhar tua face,
bronzeada do sol e do sal marítimo, volta!
E te estenderei minhas mãos hipotéticas, duradouras,
de carvalho, fortes, tú bem sabes.
Eu sou teu cais!

Eu sei que tu sabes como me sinto,
quando a cada manhã somes no horizonte,
e só voltas na trilha deixada pelo sol a se por,
e se demoras, além,
acendo minhas lanternas para que aches de volta
o caminho pra mim que sou teu cais!

          Manoel Augusto